Tempos livres

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

As palavras...

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.

Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

1 comentário:

Anónimo disse...

Pus-me a pensar,

aguardando que as palavras saíssem.

Vazio e sem paciência para aguardar,

Fechei os olhos na esperança de que o silêncio me pudesse inspirar.

Nenhuma palavra saiu, nenhum pensamento fruiu.

Deitei-me então, esperando que o sono me permitisse sonhar.

E eis então, que a inspiração surgiu.

Mas, tal como apareceu, também fugiu.
in:Palavras leva-as o Vento (ou não) Vido

Para que o vento não as leve ... deixo-as gravadas ao alcance de um olhar, para que perdurem no tempo, o tempo que cada um desejar.
Um abraço do Tio Óscar