Tempos livres

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Mensagem Urbi et Orbe...

Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro,e vós todos, homens e mulheres amados pelo Senhor!

«Lux fulgebit hodie super nos,quia natus est nobis Dominus.- Hoje sobre nós resplandecerá uma luzporque nasceu para nós o Senhor»
(Missal Romano: Antífona de Entrada, da Missa da Aurora no Natal do Senhor).

A liturgia da Missa da Aurora lembrou-nos que a noite já passou, o dia vai alto; a luz que provém da gruta de Belém resplandece sobre nós.
Todavia a Bíblia e a Liturgia não nos falam da luz natural, mas de uma luz diversa, especial, de algum modo apontada e orientada para um «nós», o mesmo «nós» para quem o Menino de Belém «nasceu». Este «nós» é a Igreja, a grande família universal dos que acreditam em Cristo, que aguardaram com esperança o novo nascimento do Salvador e hoje celebram no mistério a perene actualidade deste acontecimento.
Ao princípio, ao redor da manjedoura de Belém, aquele «nós» era quase invisível aos olhos dos homens. Como nos diz o Evangelho de São Lucas, englobava, para além de Maria e José, poucos e humildes pastores que acorreram à gruta avisados pelos Anjos. A luz do primeiro Natal foi como um fogo aceso na noite. À volta tudo estava escuro, enquanto na gruta resplandecia a luz verdadeira «que ilumina todo o homem» (Jo 1, 9). E no entanto tudo acontece na simplicidade e ocultamente, segundo o estilo com que Deus actua em toda a história da salvação. Deus gosta de acender luzes circunscritas, para iluminarem depois ao longe e ao largo. A Verdade e também o Amor, que são o seu conteúdo, acendem-se onde a luz é acolhida, difundindo-se depois em círculos concêntricos, quase por contacto, nos corações e mentes de quantos, abrindo-se livremente ao seu esplendor, se tornam por sua vez fontes de luz. É a história da Igreja que inicia o seu caminho na pobre gruta de Belém e, através dos séculos, se torna Povo e fonte de luz para a humanidade. Também hoje, por meio daqueles que vão ao encontro do Menino, Deus ainda acende fogueiras na noite do mundo para convidar os homens a reconhecerem em Jesus o «sinal» da sua presença salvífica e libertadora e estender o «nós» dos crentes em Cristo à humanidade inteira.
Onde quer que haja um «nós» que acolhe o amor de Deus, aí resplandece a luz de Cristo, mesmo nas situações mais difíceis. A Igreja, como a Virgem Maria, oferece ao mundo Jesus, o Filho, que Ela própria recebeu em dom e que veio para libertar o homem da escravidão do pecado. Como Maria, a Igreja não tem medo, porque aquele Menino é a sua força. Mas, não O guarda para si: oferece-O a quantos O procuram de coração sincero, aos humildes da terra e aos aflitos, às vítimas da violência, a quantos suspiram pelo bem da paz. Também hoje, à família humana profundamente marcada por uma grave crise, certamente económica mas antes ainda moral, e por dolorosas feridas de guerras e conflitos, a Igreja, com o estilo da partilha e da fidelidade ao homem, repete com os pastores: «Vamos até Belém» (Lc 2, 15), lá encontraremos a nossa esperança.
O «nós» da Igreja vive no território onde Jesus nasceu, na Terra Santa, para convidar os seus habitantes a abandonarem toda a lógica de violência e represália e a comprometerem-se com renovado vigor e generosidade no caminho para uma convivência pacífica. O «nós» da Igreja está presente nos outros países do Médio Oriente. Como não pensar na atribulada situação do Iraque e no «pequenino rebanho» de cristãos que vive na região? Às vezes sofre violências e injustiças, mas está sempre disposto a oferecer a sua própria contribuição para a edificação da convivência civil contrária à lógica do conflito e rejeição do vizinho. O «nós» da Igreja actua no Sri Lanka, na Península Coreana e nas Filipinas, e ainda noutras terras asiáticas, como fermento de reconciliação e de paz. No continente africano, não cessa de erguer a voz até Deus para implorar o fim de toda a prepotência na República Democrática do Congo; convida os cidadãos da Guiné e do Níger ao respeito dos direitos de cada pessoa e ao diálogo; aos de Madagáscar pede para superarem as divisões internas e acolherem-se reciprocamente; a todos lembra que são chamados à esperança, não obstante os dramas, provações e dificuldades que continuam a afligi-los. Na Europa e na América do Norte, o «nós» da Igreja incita a superar a mentalidade egoísta e tecnicista, a promover o bem comum e a respeitar as pessoas mais débeis, a começar daquelas ainda por nascer. Nas Honduras, ajuda a retomar o caminho institucional; em toda a América Latina, o «nós» da Igreja é factor de identidade, plenitude de verdade e caridade que nenhuma ideologia pode substituir, apelo ao respeito dos direitos inalienáveis de cada pessoa e ao seu desenvolvimento integral, anúncio de justiça e fraternidade, fonte de unidade.
Fiel ao mandato do seu Fundador, a Igreja é solidária com aqueles que são atingidos pelas calamidades naturais e pela pobreza, mesmo nas sociedades opulentas. Frente ao êxodo de quantos emigram da sua terra e são arremessados para longe pela fome, a intolerância ou a degradação ambiental, a Igreja é uma presença que chama ao acolhimento. Numa palavra, a Igreja anuncia por toda a parte o Evangelho de Cristo, apesar das perseguições, as discriminações, os ataques e a indiferença, por vezes hostil, mas que lhe consentem de partilhar a sorte do seu Mestre e Senhor.
Queridos irmãos e irmãs, que grande dom é fazer parte de uma comunhão que é para todos! É a comunhão da Santíssima Trindade, de cujo seio desceu ao mundo o Emanuel, Jesus, Deus-connosco. Como os pastores de Belém, contemplamos cheios de maravilha e gratidão este mistério de amor e de luz! Boas-festas de Natal para todos!

© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana

domingo, 27 de dezembro de 2009

Do presépio de Belém...



Eis que numa cidade, Belém, nasceu um Salvador, Jesus Cristo. Este acontecimento, 2009 anos depois aparece retratado em diversos tamanhos, cores e feitios, mas na sua génese está «O Verbo fez-se carne e habitou entre nós» cf. Jo 1.

Na simplicidade de uma gruta, ou estábulo a Sagrada Família de Nazaré foi visitada por pastores, anjos e reis vindos do Oriente.

Os presépios mais elaborados apresentam-nos diversas personagens, desde os pastores, ao lenhador, ao padeiro, ao comerciante, à mulher que lava a roupa e a tantos outros figurantes consoante a imaginação de cada autor, mas num aspecto são unanimes, todos vieram adorar o Menino e apresentar-lhe o que tinham...

BOAS FESTAS...

Neste Domingo que se segue ao Natal celebra-se a Festa da Sagrada Família de Nazaré, e nela se recordam todas as famílias do mundo. Onde pais, mães e filhos têm um papel determinante para o bem comum e da sociedade.

Amado Jesus, José e Maria, meu coração vos dou e alma minha;

Amado Jesus, José e Maria, assisti-me na última agonia;

Amado Jesus, José e Maria, repouse entre vós alma minha.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Selinho.. Boas Festas


Ofereço este selinho a todos os meus seguidores e amigos!
Votos de Boas Festas.
Bjinhos e/ou abraços
Bruno Alexandre

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Caridade...

"A caridade é a fonte e origem de todos os bens, é a mais segura protecção, é o caminho que leva ao Céu. Quem caminha na caridade não pode temer nem errar; ela dirige, protege e leva a bom termo.Por isso, irmãos, uma vez que Jesus Cristo nos deu a escada da caridade pela qual todo o cristão pode subir ao Céu, conservai fielmente a caridade verdadeira, exercitai a uns com os outros e, subindo por ela, progredi sempre no caminho da perfeição".
(Autor do século VI)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O amor...

Muito se tem falado sobre o amor, até porque este é um tema presente em diversas culturas.
O amor ocupa o centro da busca humana e só quando o encontra o ser humano se sente realizado. É cantado na poesia, analisado na literatura, celebrado na dedicação generosa ao próximo, é festa e drama, luz e interrogação, paixão e ternura serena, desejo e posse; busca de intimidade e comunhão, mas permite também a contemplação do outro colocando nele todas as nossas esperanças.
O ser humano tem um papel fundamental nesta questão do amor, sendo no seu todo amado (em corpo e espírito) pelo coração de quem ama. Mas não basta só amar, é necessário também sentir-se amado e desejado proporcionando assim sentimentos de amantes e amados permitindo a construção da intimidade, da comunhão e da partilha.
Pode-se amar muitas coisas, os pais, os irmãos, os amigos, a natureza, o outro (o-nosso-mais-que-tudo) e fazemo-lo de forma diferente, mas com a mesma convicção e entrega, pois só assim nos sentiremos realizados em plenitude. O amor não se esgota ao amar os outros, pelo contrário, quanto mais se dá, mais se tem para dar, contraria qualquer princípio matemático. :=)
Talvez a atracão seja uma primeira forma de amor, pois todas as experiências de amor inter-pessoal começam no sentir-se atraído pelo outro e aos poucos vamo-nos sentindo especiais, pois há algo que nos atraí, desde a beleza, à inteligência passando pela bondade e simplicidade ou porque simplesmente partilha dos mesmos gostos e desejos.
Começar a amar é antes de mais e acima de tudo deixar-se guiar por esta atracão em busca de uma relação que nos identifique.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Se queres um amigo, cativa-o...


Foi então que apareceu a raposa: - Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu o principezinho com delicadeza. Mas ao voltar-se não viu ninguém.
- Anda brincar comigo, propôs-lhe o principezinho. Estou tão triste ...
- Não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.
- Ah! Perdão, disse o principezinho. Mas depois de ter reflectido acrescentou:
- Que significa «cativar»?
- É uma coisa de que toda a gente se esquecer, disse a raposa. Significa criar laços.
- Criar laços?
- Isso mesmo, disse a raposa. Para mim, não passas, por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti e tu não precisas de mim. Para ti não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti... Cativa-Me, por favor, disse ela.
- Tenho muito gosto, respondeu o principezinho, mas falta-me tempo. Preciso de Descobrir amigos e conhecer muitas coisas.
- Só se conhecem as coisas que se cativam, disse a raposa. Os homens já não têm tempo para tomar conhecimento de nada. Compram coisas feitas aos mercadores. Mas como não existem mercadores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me.
- Como é que hei-de fazer? Disse o principezinho.
- Tens de ter muita paciência, respondeu a raposa. Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo rabinho do olho e tu não dizes nada. A linguagem é fonte de mal entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto ...
Foi assim que o principezinho cativou a raposa.


In: "O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Tenho sede de amor...

Tenho uma sede profunda e ardente de amor verdadeiro; daquele todo despojado, totalmente gratuito que não pede nada em troca, apenas a felicidade do outro; daquele inquieto e à procura, exigente e peregrino.
Tenho sede de um amor apaixonado pelo bem do outro, que não se contenta com o que já é; daquele incondicionalmente fiel, tenazmente paciente e próximo.
Um amor que tudo perdoa, tudo espera, tudo suporta, sem reservas ou preconceitos, sem defesas e sem condições.
Tenho sede de um amor que dure toda a vida onde o outro se confunda em nós, que depois do prazer e da conquista não se sacie!

:)

domingo, 13 de dezembro de 2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

"Discutir a relação"...

As discussões muitas vezes são necessárias pois elas podem-nos ajudar a limar as pequenas arestas da relação e permitem-nos averiguar até que ponto aquela relação tem futuro.
Muitas vezes parte-se do pressuposto que o outro sub entende a nossa vontade e a “nossa” ideia de relação.
Por vezes parte-se de uma “curte” e não se quer mais do que isso, um passar um bom bocado e pronto, contudo o outro vê nesta curte um futuro e vai criar ilusões porque não houve a coragem de dizer que isto é apenas e só uma curte. É verdade que algumas relações começaram por ser uma curte, mas evoluíram porque ambos “discutiram” e viram um futuro para o seu relacionamento.
É importante não ferir o outro (m, f) porque também ele tem sentimentos e as feridas levam muito tempo a sarar ou a curar e nunca mais seremos os mesmos, pois “perdemos” um pouco de nós na relação.
Costumo dizer que no princípio somos 100% de nós mesmos, mas com o avançar do relacionamento vamos sendo 95% nós, 5% do outro, 90% – 10%, 80% -20%, …, daí que quando tudo acaba fica-nos a faltar uma parte.
Homens, tenham atenção aos sentimentos das ladys, e esclareçam os vossos sentimentos.
Ladys, lá porque o “miudo” é giro, não façam colecção, respeitem-no e sejam sinceras!

Permitam-me este exemplo que vou deixar;
Há tempos enquanto ouvia as noticias pela televisão vejo uma casa totalmente em ruínas, apenas se viam os destroços de uma desgraça à muito anunciada. Mas aos primeiros sinais de aviso, não lhe foi dada a devida importância e com o tempo o inevitável aconteceu.
Neste monte de ruínas perdeu a vida uma criança e duas pessoas ficaram feridas.
Quantas vezes nos relacionamentos do dia-a-dia são visíveis os sinais de ruptura, aos quais não ligamos, ou por desleixo ou comodismo, e depois a tragédia bate-nos à porta.
E como no exemplo citado quantas vezes não ficamos sentimentalmente feridos ou “mortos” para uma vida de felicidade.


N.B.: Este post foi um comentário ao post Discutir a relação publicado no Blog, Laetitia Sweeney Rose

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Advento...


O Advento recorda-nos a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e insere-nos no caráter missionário da vinda de Cristo.
Ao aprofundar os textos litúrgicos deste tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor Jesus, que de facto encarna e torna-se presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao fazer-se carne torna próximo o Reino (Mc 1,15).
O Advento recorda também o Deus da Revelação. Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos.
O caráter missionário do Advento manifesta-se na Igreja pelo anúncio do Reino e a seu acolhimento pelo coração do homem até à manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Baptista e Maria são exemplos concretos da vida missionária de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando Cristo ao irmão para o santificar. Não podemos esquecer que toda a humanidade e toda a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar o mistério da salvação e tendo Jesus como referência estaremos dispostos a "perder" a vida em favor do anúncio do Reino.


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