Tempos livres

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

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Quando estou só reconheço


Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.


E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.

Fernando Pessoa

1 comentário:

Lena disse...

Obrigado por estes pedaços simples que ajudam a fazer caminho.
Deixo-te um poema que gosto muito:

"Caminho eternamente sobre estas margens,
entre a areia e a espuma.
O fluxo do mar apagará a impressão dos meus passos,
e o vento levará a espuma.
Mas o mar e a margem permanecerão
eternamente."
(Kahlil Gibran/Areia e Espuma/
Coisas de Ler/2002)