Tempos livres

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Tempos livres... #1

Bom dia!
Venho trazer-vos as novidades do trabalho de ponto cruz, a Sé de Lisboa.

Espero que as vossas férias estejam a correr bem.

Bjinhos e abraços,
BC

terça-feira, 27 de julho de 2010

Nos meus tempos livres...

Boas, hoje venho apresentar-vos o trabalho que vou ter entre mãos nos proximos tempos.
Vou trazendo as novidades e o andamento do trabalho todas as semanas.

Boa semana e boas ferias!
BC





Esquemas retirados de Albúm picassa

sábado, 24 de julho de 2010

Por terras de Viriato...

Boas,
Passei para vos desejar um bom fim de semana, eu vou andar por terras de
Viriato.

Até 2ª feira e que o vosso fim de semana seja relaxante.

Bjinhos e abraços,
BC

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A vida...

No nosso dia a dia muitas vezes nem temos tempo para pensar para
reflectir ou simplesmente saborear os momentos.
Dou por mim, muitas vezes "preso" aos afazeres que nem me lembro de
contemplar a beleza que me rodeia. Daqui vejo o Tejo ao fundo, estou em
contacto com a natureza, com os esquilos e por vezes vejo o nascer do
dia. Aquele momento único em que o sol se "levanta" para presidir ao dia!
De quantos encontros com a mãe-natureza preciso eu para poder ver que
ali, diante de mim está uma bela obra da criação. Da sorte que tenho em
poder contemplar estas maravilhas, porque tenho vista e vejo, tenho
ouvidos e ouço, tenho olfacto e cheiro. Mas não, a labuta do dia a dia,
os encontros quase imediatos, a urgência com que as coisas nos são
pedidas fazem-nos desligar destes pequenos prazeres da vida.

A vida é feita de pequenos momentos que nos fazem crescer, e nos tornam
criaturas diferentes de todas as outras.

Um bom dia nos dê Deus,
BC

terça-feira, 13 de julho de 2010

"uma árvore que cai, faz mais barulho que uma floresta que cresce"

Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes actos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a protecção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes...

Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.

É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!

Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Mexico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças...

Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.

Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.

Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a seropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.

Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.

Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote "normal" em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.

Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...
Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.

Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o fará nobre em sua profissão.

Em Cristo,

Pe. Martín Lasarte, SDB.