Tempos livres

terça-feira, 23 de junho de 2009

Parece que somos todos mestres...

Senhor,
Se fôssemos mestres em todas as ciências, incluindo a Tua, onde estariam os que deveríamos ensinar? Mas vê bem, Senhor, a nossa toleima.

Vivemos um tempo, em que parece, que somos todos mestres, exibindo a postura de falarmos de tudo e, até, de tudo estabelecer conceitos, pelo facto de andarmos tão cheios de nós mesmos que nos elevamos como se fôssemos balões vaidosos.E de tal modo assim é, que nos esquecemos que basta um furo na nossa vaidade para esvaziar o balão que somos.

Senhor, tem paciência comigo se um dia me vires atrás da corrente do mundo fura a vaidade do meu balão.

Faz de mim o aprendiz que devo ser.
Hoje e sempre.

Aprendiz, mas com o desejo de saber coisas grandes, como esta, de sendo fraco como sou, só Contigo – como disse o Teu Apóstolo – é que serei forte.

E isso, eu quero ser!

Teodoro A. Mendes

sexta-feira, 19 de junho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Solenidade de Corpo de Deus...

"Ecce panis Angelorum / factus cibus viatorum: / vere panis filiorum Eis o pão dos Anjos, / feito pão dos peregrinos, / verdadeiro pão dos filhos" (Sequência).

Hoje a Igreja mostra ao mundo o Corpus Domini o Corpo de Cristo. E convida-nos a adorá-Lo: Venite adoremus Vinde, adoremos!

O olhar dos crentes concentra-se no Sacramento, em que Cristo se deu totalmente a si mesmo: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Por isso foi sempre considerado o mais Santo: o "Santíssimo Sacramento", memorial vivo do Sacrifício redentor.

Voltamos, na solenidade do Corpus Domini, àquela "Quinta-feira" a que todos chamamos "santa", na qual o Redentor celebrou a sua última Páscoa com os discípulos: foi a Última Ceia, cumprimento da ceia pascal hebraica e inauguração do rito eucarístico.

Por isso a Igreja, desde há séculos, escolheu uma quinta-feira para a solenidade do Corpus Domini, festa de adoração, de contemplação e de exaltação. Festa em que o Povo de Deus se reúne à volta do tesouro mais precioso herdado de Cristo, o Sacramento da sua própria Presença, e O louva, canta e leva em procissão pelas ruas da cidade.

2. "Lauda, Sion, Salvatorem!" (Sequência).

A nova Sião, a Jerusalém espiritual, em que se reúnem os filhos de Deus de todos os povos, línguas e culturas, louva o Salvador com hinos e cânticos. Com efeito, são inexauríveis a admiração e o reconhecimento pelo dom recebido. Este dom "é maior do que qualquer louvor, não existe um cântico que seja digno" (ibid.).

Eis um mistério sublime e inefável. Mistério perante o qual permanecemos estupefactos e silenciosos, em atitude de contemplação profunda e extasiada.

3. "Tantum ergo Sacramentum veneremur cernui Adoremos, prostrados, este sacramento tão grande".

Na Sagrada Eucaristia está realmente presente Cristo, morto e ressuscitado por nós.

No Pão e no Vinho consagrados permanece connosco o mesmo Jesus dos Evangelhos, que os discípulos encontraram e seguiram, que viram crucificado e ressuscitado, cujas chagas Tomé tocou, prostrando-se em adoração e exclamando: "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20, 28; cf. ibid., 17, 20).

No Sacramento do altar é oferecida à nossa amorosa contemplação toda a profundidade do mistério de Cristo, o Verbo e a carne, a glória divina e a sua morada entre os homens. Perante Ele, não podemos duvidar de que Deus está "connosco", que assumiu em Jesus Cristo todas as dimensões humanas, excepto o pecado, despojando-se da sua glória para com ela nos revestir a nós (cf. ibid., 21, 23).

No seu Corpo e no seu Sangue manifesta-se o rosto invisível de Cristo, Filho de Deus, na modalidade mais simples e ao mesmo tempo mais nobre possível neste mundo. Aos homens de todos os tempos que, perplexos, pedem: "Queremos ver Jesus" (Jo 12, 21), a Comunidade eclesial responde repetindo o gesto que o próprio Senhor realizou para os discípulos de Emaús: parte o pão. Então, ao partir o pão, abrem-se os olhos de quem o procura com coração sincero. Na Eucaristia o olhar do coração reconhece Jesus e o seu inconfundível amor que se dá "até ao fim" (Jo 13, 1). E n'Ele, naquele seu gesto, reconhece o Rosto de Deus!

4. "Ecce panis Angelorum... vere panis filiorum Eis o pão dos Anjos... verdadeiro pão dos filhos".
Deste pão nos alimentamos para nos tornarmos testemunhas autênticas do Evangelho. Precisamos deste pão para crescer no amor, condição indispensável para reconhecer o rosto de Cristo no rosto dos irmãos.

A nossa Comunidade diocesana tem necessidade da Eucaristia para prosseguir o caminho de renovação missionária que empreendeu. Precisamente nos últimos dias foi realizado em Roma o congresso diocesano que analisou "as perspectivas de comunhão, formação e missionariedade na Diocese de Roma nos próximos anos". É necessário continuar a caminhar "partindo" de Cristo, ou seja, da Eucaristia. Caminhamos com generosidade e coragem, procurando a comunhão dentro da nossa Comunidade eclesial e dedicando-nos com amor ao serviço humilde e abnegado de todos, sobretudo os mais necessitados.
Neste caminho, precede-nos Jesus com o dom de si até ao sacrifício e oferece-se a Si mesmo a nós como alimento e amparo. Aliás, em todos os tempos, não cessa de repetir aos Pastores do Povo de Deus: "Dai-lhes vós mesmos de comer" (Lc 9, 13); reparti para todos este pão de vida eterna.

Tarefa comprometedora e exaltante. Missão que permanece pelos séculos dos séculos.

5. "Todos comeram e ficaram saciados" (Lc 9, 17). Através das palavras do Evangelho, que há pouco escutámos, chega até nós o eco de uma festa que, desde há dois mil anos, não tem fim. Festa do povo a caminho no êxodo do mundo, alimentado por Cristo, verdadeiro Pão de salvação.
No final da Santa Missa também nós nos poremos a caminho no centro de Roma, levando o Corpo de Cristo escondido nos corações e bem visível no ostensório. Acompanharemos o Pão de vida imortal pelas ruas da Cidade. Adorá-lo-emos e à sua volta reunir-se-á a Igreja, ostensório vivo do Salvador do mundo.
Oxalá os cristãos de Roma, fortalecidos pelo seu Corpo e pelo seu Sangue, mostrem Cristo a todos com o seu modo de viva: com a sua unidade, com a sua fé jubilosa, com a sua bondade!
Que a nossa Comunidade diocesana recomece corajosamente a partir de Cristo, Pão de vida imortal!

E Tu, Jesus, Pão vivo que dá a vida, pão dos peregrinos, "alimenta-nos e defende-nos / conduz-nos para os bens eternos / na terra dos vivos". Amen.
João Paulo II, Roma 2001

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas


Mensagem do Presidente da República dirigida às Comunidades Portuguesas por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas


Portugueses e luso-descendentes,


Neste Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, saúdo os Portugueses que vivem ou trabalham fora do seu País, bem como os luso-descendentes que, nas sete partidas do mundo, mantêm acesa a chama da portugalidade.

«Quanto mais longe vou, mais perto fico», foram palavras que Miguel Torga nos legou, num inesquecível poema. Torga conheceu e viveu a realidade da diáspora, sabia do que falava.

É essencial sabermos do que falamos, quando falamos da diáspora portuguesa. Por isso me tenho esforçado para contactar de perto as comunidades portuguesas dispersas pelo mundo.

Sempre que me desloco em visitas oficiais ao estrangeiro – como sucedeu este ano, na viagem que fiz à Alemanha –, procuro que o programa oficial inclua momentos de diálogo directo com as comunidades da diáspora.

É fundamental conhecermos a realidade concreta dos Portugueses que emigraram. Só assim estaremos a par dos seus anseios, das suas necessidades, do seu amor à Pátria, do seu profundo e comovente desejo de preservar os laços que os unem a Portugal.

Mas estes laços têm de ser materializados em acções concretas. Não bastam meras palavras de apreço nem simples discursos de ocasião.

Não é possível construir uma relação autêntica com as comunidades tendo por base apenas proclamações retóricas sobre os afectos ou os sentimentos.

Deve garantir-se que os Portugueses da diáspora mantenham laços efectivos com o Portugal de onde partiram. Entre eles, avulta, naturalmente, o vínculo da cidadania. Por isso, defendi, através de actos concretos, que o exercício dos direitos cívicos pelos emigrantes fosse assegurado de forma plena.

Não esqueçamos que, como disse o escritor Mia Couto, a identidade dos emigrantes é uma «identidade fugidia».

É imprescindível que a identidade dos nossos emigrantes não seja fugidia e que, com o passar dos anos, não se percam os elementos essenciais que ligam as comunidades da diáspora à terra de onde vieram. Porque essa terra tem um nome: Portugal.

E, como Portugueses que todos somos, temos um dever colectivo e patriótico: tornar real o que pode ser fugidio, construir uma identidade própria, capaz de superar as distâncias e as saudades.
No século XXI, em que as distâncias diminuem num mundo global, as questões relacionadas com a diáspora não podem continuar a ser tratadas através do tradicional discurso saudosista e passadista, em que se enaltecem os afectos mas se esquecem as realizações concretas.

Não por acaso, ainda ontem tive o gosto de distinguir com o “Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa” um jovem que, na Holanda, criou uma empresa de aplicações de «software» para telemóveis que factura 2 milhões de euros por ano e tem 70 milhões de utilizadores, e um português, residente na Califórnia, presidente de uma empresa agro-alimentar, a maior produtora mundial de batata-doce biológica, que factura 36 milhões de euros por ano e emprega 700 pessoas.

Orgulho-me de ter contribuído para que a política da diáspora esteja mais atenta à necessidade imperiosa de manter intocados os direitos cívicos dos emigrantes.

Orgulho-me de Portugal e de ser Português. E, neste dia 10 de Junho, quero dizer muito vincadamente: orgulho-me de todos os que querem continuar a ser Portugueses.


in Presidência da República (http://www.presidencia.pt/)