Tempos livres

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O comboio...


Um comboio avança velozmente para o seu destino. Atravessa os campos como uma flecha. Penetra nos túneis. Cruza cidades e aldeias. Parece uma serpente mecânica a deslizar com toda a perfeição. Dentro do comboio desenrola-se o drama da humanidade. Gente de todas as raças, de todas as idades, de todas as condições sociais. Gente que ama e gente que odeia.

Uns acham que o comboio leva uma velocidade exagerada; outros vão satisfeitos, contemplando a paisagem. Uns preocupam-se em saber se ele chegará ao seu destino, enquanto outros, despreocupados, passeiam pelas carruagens.

E o comboio continua a correr, impassível, em direcção ao destino. A todos transporta, sem se preocupar com as diferenças.

A viagem é grátis, mas ninguém pode sair do comboio. Vive-se dentro dele. Podem os passageiros estar tristes ou alegres, mas isso em nada influencia o comboio, que continua a correr infatigavelmente para a meta.

Não será assim a nossa vida? Uma corrida para a meta? E qual será a meta?

Apesar de todos os problemas a vida avança e em nada se pode voltar atrás, está nas nossas mãos viver o tempo presente, é esse o tempo que verdadeiramente importa.

Se assim vivermos, teremos certamente um bom dia!

Um abraço,

domingo, 22 de junho de 2008

O que há em mim é sobretudo cansaço...


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...


Álvaro de Campos

sábado, 21 de junho de 2008

Quero olhar-me como Tu me olhas...

Quero olhar-me como Tu me olhas...

Ainda não venci a humilhação que me assalta após cada erro ou fracasso. E, muitas vezes, dou comigo a exclamar: «olha o que eu fiz!..». E dói-me mais a frustração, que a dor causada ao Amor que merece ser amado!..

Mas hoje, Senhor, quero olhar descomplexadamente para a minha vida.

Quero olhar-me como Tu me olhas... Com esse olhar penetrante que sabe distinguir entre a alegria e a leviandade; a fadiga natural e o repouso preguiçoso; o entusiasmo consciente e a emoção circunstancial; o gesto visível e o coração que o desenhou!

E, depois de sentir o Teu olhar, quero, Senhor, saborear a Tua voz que me diz que nunca desistes; que permaneces fiel perante as minhas infidelidades; que esperas, mesmo que eu decida não partir; que me amas nos meus desamores.

É também por isso, Senhor, que não me deixas desistir de mim!...


João Aguiar

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Oração...

Bendizemos-Te hoje, Senhor, porque a Tua Palavra é vida.
Bem-aventuradoo que a escuta e cumpre fielmente!
Será como uma casa que, edificada sobre a rocha, aguenta o vendaval,
e árvore junto ao canal, cujas folhas nunca murcham.
Porque a Tua Lei, Senhor, é perfeita e é descanso da alma;
Por isso, a Tua Lei é a minha herança,
a alegria da minha vida.
Inclina o meu coração para o cumprimento
da tua Lei,
Sempre e cabalmente.
Ámen.

domingo, 15 de junho de 2008

...


Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o Vosso Pai que está nos Céus. (Mt 5, 16)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Responso de Santo António...

Se milagres desejais,
recorrei a Santo António
Vereis fugir o demónio
e as tentações infernais.

Recupera-se o perdido.
Rompe-se a dura prisão,
e no auge do furacão
cede o mar embravecido.

Pela sua intercessão,
foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte,
e torna-se o enfermo são.

Recupera-se o perdido.
Rompe-se a dura prisão,
e no auge do furacão
cede o mar embravecido.

Todos os males humanos
se moderam, se retiram,
Digam-no aqueles que o viram,
e digam-no os paduanos.

Recupera-se o perdido.
Rompe-se a dura prisão,
e no auge do furacão
cede o mar embravecido.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Recupera-se o perdido.
Rompe-se a dura prisão,
e no auge do furacão
cede o mar embravecido.

Rogai por nós, bem-aventurado António
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

terça-feira, 10 de junho de 2008

10 de Junho...

Celebrar o 10 de Junho, é celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Por isso gostaria de partilhar convosco um excerto da Mensagem de D. António Vitalino Dantas, Presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana.
"Numa altura em que prevalece um ambiente de contestação social na Europa, sobretudo por causa da subida dos preços dos combustíveis e dos cereais, fazendo resvalar atrás de si o agravamento das desigualdades entre os portugueses, faz-nos bem lançar o olhar para as nossas comunidades espalhadas pelos cinco continentes. Isso fortalece em todos nós a auto-estima e a esperança de que a valentia dos descobridores e emigrantes é capaz de vencer as crises e conseguir para as suas famílias o bem-estar que na pátria lhes foi negado.
Hoje como outrora, temos de olhar para estes portugueses ousados como símbolos das potencialidades da nossa identidade, forjada ao longo dos séculos pelos valores da esperança cristã, que nos alarga os horizontes e desperta as virtualidades para vencer os desafios e as crises do presente, mas de um modo solidário e fraterno.
Por outro lado, o fenómeno das migrações recorda-nos a nossa qualidade essencial de seres em mobilidade, homens sempre a caminho (“homo viator”, como diria o filósofo Gabriel Marcel) e que é nesta condição que conseguiremos superar as crises e dar novos horizontes às nossas famílias, a Portugal e ao mundo."
Um abraço,

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Súplica...

Senhor, vem até junto de mim,
acompanha-me nestes momentos difíceis.
Ajuda-me a ter paz no meio da dor, da tristeza e solidão.
Concede-me a paz quando não posso dormir pela noite fora.
Não me abandones quando penso no que me pode acontecer,
não me deixes só quando sinto angústia e desconforto.
Tu, Senhor, experimentaste a angústia no Getsémani e na Cruz.
Sabes como é dificil manter o espírito em paz sob o peso do sofrimento e da solidão.
Ensina-me a viver a minha solidão com confiança, seguro da Tua bondade.
Ensina-me a compreender que nenhum mal pode destruir a esperança, a confiança,
a vontade de amar, porque nada me pode separar de ti e de quem amo por ti.
Nos momentos difíceis, traz-me ao pensamento e ao coração as palavras que, um dia, disseste:
«Vinde a mim, todos os que andais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim que Sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito.
Pois o Meu jugo é suave e o meu fardo é leve». (Mt, 11, 28-30)

Um abraço amigo,