Tempos livres

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Homenagem ao Papa João Paulo II...

A dois de Abril de 2005 o mundo chorou, não queria acreditar, o sino da Praça de S. Pedro em Roma tocava pesarosamente, as lágrimas corriam, o amado Pontífice João Paulo II tinha regressado à casa do Pai.

Como foram intensos e dolorosos estes momentos, as imagens que chegavam em directo, pela caixinha mágica da televisão, não deixavam dúvidas, muitos nem queriam acreditar que o ‘’Gigante’’ tombara, o Papa falecera. Muitos sentir-se-iam aliviados porque a voz que bradava no “deserto” fora silenciada e que inevitavelmente deixara de se ouvir, outros porém viam partir um grande Homem, um Santo do nosso tempo, um Pai, um Amigo, um ídolo, alguém que amavam e que respeitavam. No entanto ninguém pode ficar indiferente ao acontecimento.

Nos dias que antecederam a morte do Pontífice, Roma tornou-se diferente, de sede da Igreja Apostólica Romana, tornou-se centro do mundo, a Igreja celebrava por esses dias a Páscoa do Senhor, muitos guardavam ainda na memória a tradicional Benção “Urbi et Orbi”, à cidade e ao mundo, da janela do Palácio Apostólico recordavam o esforço inglório de um Homem fragilizado, abatido pela doença, de idade avançada, mas ainda assim determinado em cumprir até ao fim dos seus dias a Missão que o Senhor lhe confiara «apascenta as minhas ovelhas». Tentou pronunciar algumas palavras, mas em vão, apenas conseguiu acenar, dar a Benção Apostólica… Aos poucos calava-se a voz tantas vezes crítica, defensora da Paz e dos Direitos humanos, do Amor, dos mais pobres, fracos e oprimidos, uma voz que denunciou veemente a guerra, (ele que sofrera os efeitos da II Gerra Mundial).

João Paulo II não deixou ninguém indiferente, a sua fragilidade provocada pela doença, congregava à sua volta inúmeras pessoas, pelo mundo rezava-se pelas suas melhoras, a Praça de S. Pedro tornara-se uma praça orante, faziam-se vigílias de oração, cantava-se, rezava-se o terço, a oração mariana predilecta do Papa, o mundo mostrava ao seu Pastor que as suas ovelhas estavam ali, no redil. Nas últimas palavras referiu: «eu fui ter convosco, agora foste vós que vieste ter comigo».

Era o primeiro sábado, do mês de Abril, e a Igreja celebrava a Oitava da Páscoa e entrava-se no Dia do Senhor e Domingo da Divina Misericórdia, dia instituído por João Paulo II, a pedido da irmã Faustina, recordando ao mundo que o Senhor é Misericórdia e conforto para os que n’Ele crêem. Nada acontece por acaso e foi durante a recitação do Rosário que o Papa voltou para a casa do Pai, Maria veio buscar o seu filho, ele que usara nas suas insígnias episcopais o lema «Tottus Tuus» e aquando da sua Eleição para a Cadeira de Pedro, manteve o lema, “Todo Teu”, e que apontara Maria como caminho e exemplo de vida. Também a falange incontável de anjos e santos vieram ao seu encontro, para o levarem ao Pai.

Agora, três anos passaram, mas a memória de João Paulo II continua presente, são inúmeras as visitas ao túmulo do Papa, e no coração dos homens permanece aquele olhar sincero e comprometedor, o mundo não é mais o mesmo, não se pode dissociar a História de João Paulo II, quer se queira ou não, este Homem marcou o século XX e início do século XXI, muitos acontecimentos tiveram por base a firmeza deste grande Papa.
Gostava de recordar rapidamente a visita que ele fez a Cuba em 1998. A sua saúde já se mostrava débil, contudo de 21 a 26 de Janeiro de 1998, e apesar de vozes contrárias a esta vista (81ª Visita Apostólica) o Papa teimou em ir. Para o receber o ‘’líder da Revolução Cubana’’, Fidel Castro, deixou a farda militar e vestiu um fato para receber tão nobre visitante. Cuba abria-se assim ao mundo, a bandeira de Cuba sofredora, colocada aos pés da imagem coroada de Maria, a Virgem da Caridade. A simbólica Praça da Revolução, lugar mítico do comunismo catrista, transformada em Altar, para que mais uma vez acontecesse o milagre da presença de Deus. Depois deste encontro Cuba mudou. Fidel Castro tomou a iniciativa de assinar o Livro de Condulências aquando da morte de João Paulo II e mais uma vez deixou a farda militar, para vestir um fato.

Conservo com apreço e dedicação as mensagens que Sua Santidade me enviou, bem como um Terço, e que lá do Alto ele me ajude e que eu saiba reconhecer no mais pequenino a pessoa de Jesus. Que em cada dia escutemos ‘’Levantai-vos! Vamos!’’ é um convite e um desafio a fazer diferente cada novo dia não tendo medo de “abrir as portas” do nosso coração. Se assim agirmos podemos contribuir para um mundo melhor.

Um abraço, BA

sábado, 12 de abril de 2008

A história do lápis

Partilho convosco um excerto do livro de Paulo Coelho - Ser Como o Rio Que Flui.

"Um menino olhava para a avó a escrever uma carta. A certa altura, perguntou:
- Estás a escrever uma história que aconteceu connosco? E, por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou de escrever a carta, sorriu e comentou com o neto:
- Estou a escrever sobre ti, é verdade. No entanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou a usar. Gostava que tu fosses como ele, quando cresceres.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi na minha vida!
- Tudo depende do modo como tu olhas para as coisas. Há nele cinco qualidades que, se as conseguires manter, farão de ti uma pessoa sempre em paz com o mundo.
A primeira qualidade: tu podes fazer grandes coisas, mas nunca te deves esquecer de que existe uma Mão que guia os teus passos. A esta mão nós chamamos Deus, e Ele deve sempre conduzir-te em direcção à Sua vontade.
A segunda qualidade: de vez em quando, é preciso parar de escrever e usar o afia-lápis. Isso faz com que o lápis sofra um bocado, mas deixa-o mais afiado. Portanto, aprende a suportar algumas dores, porque elas farão de ti uma pessoa melhor.
A terceira qualidade: o lápis permite sempre que usemos uma borracha para apagar aquilo que está errado. Percebe que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente mau, mas importante para nos manter no caminho da justiça.
A quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou a sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, presta sempre atenção àquilo que acontece dentro de ti.
Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele deixa sempre uma marca. Da mesma maneira, compreende que tudo o que tu fizeres na vida vai deixar traços, por isso tenta ser consciente de todas as tuas acções."


Espero que gostem.
Beijinhos

quarta-feira, 2 de abril de 2008

João Paulo II...


Rogito pelo falecimento do Santo Padre João Paulo II

OBITUS, DEPOSITIO ET TUMULATIO IOANNIS PAULI PP II SANCTAE MEMORIAE

Na luz de Cristo ressuscitado dos mortos, a 2 de Abril do ano do Senhor de 2005, às 21: 37 horas da noite, quando o dia de sábado chegava ao fim, e já tínhamos entrado no dia do Senhor, Oitava de Páscoa e Domingo da Divina Misericórdia, o amado Pastor da Igreja, João Paulo II, passou deste mundo para o Pai. Toda a Igreja em oração acompanhou o seu trânsito, especialmente os jovens.

João Paulo II foi o 264º Papa. A sua memória permanece no coração da Igreja e da humanidade inteira.

Karol Wojtyla, eleito Papa a 16 de Outubro de 1978, nasceu em Wadowice, cidade a 50 quilómetros de Cracóvia, a 18 de Maio de 1920 e foi baptizado dois dias depois na Igreja paroquial pelo sacerdote Francisco Zak.

Aos nove anos recebeu a Primeira Comunhão e aos 18 o sacramento da Confirmação. Interrompidos os estudos, porque as forças de ocupação nazistas tinham fechado a Universidade, trabalhou numa mina e, em seguida, na fábrica Solvay.

A partir de 1942, sentindo-se chamado ao sacerdócio, frequentou os cursos de formação do seminário clandestino de Cracóvia. A 1 de Novembro de 1946 recebeu a ordenação sacerdotal das mãos do Cardeal Adam Sapieha. Depois foi enviado para Roma, onde obteve a licenciatura e o doutoramento em teologia, com a tese que tinha por título Doctrina de fide apud Sanctum Ioannem a Cruce.

Regressou depois à Polónia, onde desempenhou alguns cargos pastorais e ensinou as sagradas disciplinas. A 4 de Julho de 1958, o Papa Pio XII nomeou-o Bispo Auxiliar de Cracóvia. E Paulo VI, em 1964, destinou-o à mesma sede como Arcebispo. Como tal interveio no Concílio Vaticano II. Paulo VI criou-o Cardeal a 26 de Junho de 1967.

No Conclave foi eleito Papa pelos Cardeais a 16 de Outubro de 1978 e assumiu o nome de João Paulo II. A 22 de Outubro, Dia do Senhor, iniciou solenemente o seu ministério Petrino.

O pontificado de João Paulo II foi um dos mais longos da história da Igreja. Nesse período, sob vários aspectos, verificaram-se muitas mudanças. Conta-se a queda de certos regimes, para a qual ele mesmo contribuiu. A fim de anunciar o Evangelho realizou muitas viagens, em várias nações.

João Paulo II exerceu o ministério Petrino com incansável espírito missionário, dedicando todas as suas energias impelido pela sollicitudo omnium ecclesiarum e pela caridade aberta à humanidade inteira. Mais do que qualquer Predecessor encontrou o Povo de Deus e os Responsáveis das Nações, nas Celebrações, nas Audiências gerais e especiais e nas Visitas pastorais.

O seu amor pelos jovens estimulou-o a iniciar as Jornadas Mundiais da Juventude, convocando milhões de jovens em várias partes do mundo.

Promoveu com sucesso o diálogo com os judeus e com os representantes das outras religiões, convocando-os por vezes em encontros de oração pela paz, especialmente em Assis.

Alargou notavelmente o Colégio dos Cardeais, criando 231 (mais um in pectore). Convocou 15 Assembleias do Sínodo dos Bispos, 7 gerais ordinárias e 8 especiais. Erigiu numerosas Dioceses e Circunscrições, em particular no leste europeu.

Reformou os Códigos de Direito Canónico Ocidental e Oriental, criou novas Instituições e reorganizou a Cúria Romana.

Como "sacerdos magnus" exerceu o ministério litúrgico na Diocese de Roma e em todo o mundo, em plena fidelidade ao Concílio Vaticano II. Promoveu de maneira exemplar a vida e a espiritualidade litúrgica e a oração contemplativa, especialmente a adoração eucarística e a oração do Santo Rosário (cf. Carta apost. Rosarium Virginis Mariae).

Sob a sua guia a Igreja aproximou-se do terceiro milénio e celebrou o Grande Jubileu do Ano 2000, segundo as orientações indicadas com a Carta apostólica Tertio millennio adveniente.

Depois, a Igreja aproximou-se da nova era, recebendo para ela novas indicações na Carta apostólica Novo millennio ineunte, na qual se mostrava aos fiéis o caminho do tempo futuro. Com o Ano da Redenção, o Ano Mariano e o Ano da Eucaristia, promoveu a renovação espiritual da Igreja. Deu um extraordinário impulso às canonizações e beatificações, para mostrar inumeráveis exemplos da santidade de hoje, que servissem de estímulo aos homens do nosso tempo. Proclamou Doutora da Igreja Santa Teresa do Menino Jesus.

O magistério doutrinal de João Paulo II é muito rico. Guarda do depósito da fé, ele dedicou-se com sabedoria e coragem à promoção da doutrina católica, teológica, moral e espiritual, e a contrastar durante todo o seu Pontificado tendências contrárias à genuína tradição da Igreja.

Entre os documentos principais contam-se 14 Encíclicas, 15 Exortações apostólicas, 11 Constituições apostólicas, 45 Cartas apostólicas, além das Catequeses propostas nas Audiências gerais e das alocuções pronunciadas em todas as partes do mundo. Com o seu ensinamento João Paulo II confirmou e iluminou o Povo de Deus com a doutrina teológica (sobretudo nas primeiras três grandes Encíclicas Redemptor hominis, Dives in misericordia, Dominum et vivificantem), antropológica e social (Encíclicas Laborem exercens, Sollicitudo rei socialis, Centesimus annus), moral (Encíclicas Veritatis splendor, Evangelium vitae), ecuménica (Encíclica Ut unum sint), missiológica (Encíclica Redemptionis missio), mariológica (Encíclica Redemptoris Mater).

Promulgou o Catecismo da Igreja Católica, à luz da Tradição, autorizadamente interpretada pelo Concílio Vaticano II.

O seu magistério culminou na Encíclica Ecclesia de Eucharistia e na Carta apostólica Mane nobiscum Domine, durante o Ano da Eucaristia.

João Paulo II deixou a todos um testemunho admirável de piedade, de vida santa e de paternidade universal.

As testemunhas das celebrações e da inumação.


CORPUS IOANNIS PAULI P.M.
VIXIT ANNOS LXXXIV, MENSES X DIES XV
ECCLESIAE UNIVERSAE PRAEFUIT
ANNOS XXVI MENSES V DIES XVII

Semper in Christo vivas, Pater Sancte!

terça-feira, 1 de abril de 2008

MENSAGEM URBI ET ORBI ...

MENSAGEM URBI ET ORBI DE SUA SANTIDADE BENTO XVI

PÁSCOA 2008


Resurrexi, et adhuc tecum sum. Alleluia! – Ressuscitei, estou convosco para sempre. Aleluia! Amados irmãos e irmãs, Jesus crucificado e ressuscitado repete-nos hoje este jubiloso anúncio: é o anúncio pascal. Acolhamo-lo com íntimo enlevo e gratidão!

«Resurrexi, et adhuc tecum sum – Ressuscitei e estou convosco para sempre». Estas palavras, tiradas de uma antiga versão do Salmo 138 (v. 18b), ressoam ao início da Santa Missa de hoje. Nelas, ao nascer do sol de Páscoa, a Igreja reconhece a própria voz de Jesus que, ao ressurgir da morte, Se dirige ao Pai cheio de felicidade e de amor, exclamando: Meu Pai, eis-Me aqui! Ressuscitei, estou ainda convosco e estarei para sempre; o vosso Espírito nunca Me abandonou. E assim podemos compreender de modo novo ainda outras expressões do Salmo: «Se subir aos céus, lá Vos encontro, / se descer aos infernos, igualmente. /… / Nem sequer as trevas serão bastantes escuras para Vós, / e a noite será clara como o dia; / tanto faz a luz como as trevas» (Sal 138, 8.12). É verdade! Na solene vigília de Páscoa, as trevas tornam-se luz, a noite cede o passo ao dia que não conhece ocaso. A morte e ressurreição do Verbo de Deus encarnado é um acontecimento de amor insuperável, é a vitória do Amor que nos libertou da escravidão do pecado e da morte. Mudou o curso da história, infundindo um indelével e renovado sentido e valor à vida do homem.

«Ressuscitei e estou convosco para sempre». Estas palavras convidam-nos a contemplar Cristo ressuscitado, fazendo ressoar no nosso coração a sua voz. Com o seu sacrifício redentor, Jesus de Nazaré tornou-nos filhos adoptivos de Deus, de tal modo que agora também nós podemos inserir-nos no diálogo misterioso entre Ele e o Pai. Assoma à mente aquilo que Ele disse um dia aos seus ouvintes: «Tudo Me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho O quiser revelar» (Mt 11, 27). Nesta perspectiva, sentimos que a afirmação dirigida hoje por Jesus ressuscitado ao Pai – «Estou convosco para sempre» – como que por reflexo diz respeito também a nós, «filhos de Deus e co-herdeiros de Cristo, se sofremos com Ele para sermos também glorificados com Ele» (cf. Rom 8, 17). Graças à morte e ressurreição de Cristo, também nós hoje ressurgimos para uma vida nova e, unindo a nossa voz à d’Ele, proclamamos que queremos ficar para sempre com Deus, nosso Pai infinitamente bom e misericordioso.

Deste modo entramos na profundidade do mistério pascal. O facto surpreendente da ressurreição de Jesus é, essencialmente, um acontecimento de amor: amor do Pai que entrega o Filho pela salvação do mundo; amor do Filho que, por todos nós, Se abandona à vontade do Pai; amor do Espírito que ressuscita Jesus dentre os mortos com o seu corpo transfigurado. E ainda: amor do Pai que «abraça de novo» o Filho, envolvendo-O na sua glória; amor do Filho que, pela força do Espírito, volta ao Pai revestido da nossa humanidade transfigurada. E assim, da solenidade de hoje que nos faz reviver a experiência absoluta e singular da ressurreição de Jesus, vem um apelo para nos convertermos ao Amor; vem um convite para vivermos recusando o ódio e o egoísmo e seguirmos docilmente as pegadas do Cordeiro imolado pela nossa salvação, imitando o Redentor «manso e humilde de coração», que é «alívio para as nossas almas» (cf. Mt 11, 29).

Irmãos e irmãs cristãos de todas as partes do mundo, homens e mulheres de ânimo sinceramente aberto à verdade! Que ninguém feche o coração à omnipotência deste amor que redime! Jesus Cristo morreu e ressuscitou por todos: Ele é a nossa esperança! Esperança verdadeira para todo o ser humano. Hoje, como fez outrora com os seus discípulos na Galileia antes de voltar para o Pai, Jesus ressuscitado envia-nos também por toda a terra como testemunhas da sua esperança e assegura-nos: Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20). Fixando o olhar da alma nas chagas gloriosas do seu corpo transfigurado, podemos compreender o sentido e o valor do sofrimento, podemos suavizar as muitas feridas que continuam a ensanguentar a humanidade ainda em nossos dias. Nas suas chagas gloriosas, reconhecemos os sinais indeléveis da misericórdia infinita de Deus, de que fala o profeta: Jesus é Aquele que cura as feridas dos corações despedaçados, que defende os fracos e proclama a liberdade dos escravos, que consola todos os aflitos e concede-lhes o óleo da alegria em vez do hábito de luto, um cântico de louvor em vez de um coração triste (cf. Is 61,1.2.3). Se nos abeiramos d’Ele com humilde confiança, encontramos no seu olhar a resposta ao anseio mais profundo do nosso coração: conhecer Deus e contrair com Ele uma relação vital numa autêntica comunhão de amor, que encha do seu próprio amor a nossa existência e as nossas relações interpessoais e sociais. Para isso, a humanidade precisa de Cristo: N’Ele, nossa esperança, «fomos salvos» (cf. Rom 8, 24).

Quantas vezes as relações entre pessoa e pessoa, entre grupo e grupo, entre povo e povo, em vez de amor, são marcadas pelo egoísmo, pela injustiça, pelo ódio, pela violência! São as pragas de humanidade, abertas e dolorosas em todo canto do planeta, mesmo se, frequentemente, ignoradas e, às vezes, ocultadas de propósito; chagas que dilaceram almas e corpos de numerosos dos nossos irmãos e irmãs. Elas esperam ser sanadas e curadas pelas chagas gloriosas do Senhor ressuscitado (cf. 1Pd 2,24-25) e pela solidariedade dos que, sobre o seu rasto e em seu nome, põem gestos de amor, empenhando-se com factos em prol da justiça e difundem em volta de si sinais luminosos de esperança nos lugares ensanguentados pelos conflitos e sempre onde a dignidade da pessoa humana continua a ser desprezada e espezinhada . O auspício é que precisamente ali se multipliquem os testemunhos de mansidão e de perdão.

Amados irmãos e irmãs! Deixemo-nos iluminar pela luz fulgurante deste Dia solene; com sincera confiança abramo-nos a Cristo ressuscitado, para que a sua vitória sobre o mal e sobre a morte triunfe também em cada um de nós, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nas nossas Nações. Se manifeste no mundo inteiro. Como não pensar neste momento, de modo particular, em algumas regiões africanas, tais como o Darfur e a Somália; no atormentado Oriente Médio, especialmente na Terra Santa, no Iraque, no Líbano, em enfim no Tibete, regiões para as quais faço votos por que se encontrem soluções que salvaguardem o bem e a paz! Imploremos a plenitude dos dons pascais, por intercessão de Maria que, depois de ter compartilhado os sofrimentos da paixão e crucifixão do seu Filho inocente, também experimentou a alegria inefável da sua ressurreição. Associada à glória de Cristo, seja Ela a proteger-nos e a guiar-nos pelo caminho da solidariedade fraterna e da paz. São estes os votos pascais que formulo para vós aqui presentes e para os homens e mulheres de todas as nações e continentes que estão unidos connosco através da rádio e da televisão. Uma Páscoa feliz!