Tempos livres

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O descanso...

Quando escrevo estas linhas encontro-me em Viseu, à lareira porque lá fora faz frio, não que seja muito, mas sempre incomoda um pouco.

Não trago uma ideia fixa para partilhar convosco, mas lembro-me de esta manhã enquanto caminhava por uma rua quase deserta a contrastar com as movimentadas ruas da Capital, tive oportunidade de ver um riacho a correr apressadamente, mas que mesmo assim não deixava de cantarolar e ao longe ouvia a voz do sino, que marca os passos das aldeias em redor, e como é engraçado e típico das aldeias do interior o sino fazer-se ouvir. Não dá só as horas, é a vida da própria população.

Por vezes sentimos (ou devíamos sentir) necessidade de quebrar a rotina do dia a dia e tirar um fim de semana para nos dedicarmos só a nós, esquecendo os problemas de toda a semana, ou pelo menos tentar que eles não nos perturbem no fim de semana, e de certeza que no regresso nos sentiremos renovados, mais leves e com mais vontade… Olharemos os problemas de maneira diferente e o que nos poderia parecer difícil de ultrapassar, com espírito renovado, deixará de ser um bicho de sete-cabeças.

Até breve! XXIV-II-MMVIII

Um abraço,

2 comentários:

Anónimo disse...

Introdução:

Como é sábia a natureza plena de luz e de cor.
Pudera! Pois tal grandeza saiu das mãos do Senhor.

Manhã:

As trevas se adelgaçaram,lentamente, como um véu...
Um colorido se espalha e toma conta do céu.
Sinos binbalham, festivos...
Da Missa já está na hora.
As criaturas dão graças!
Eis que é chegada a aurora!

Dia:

Que firmamento azulado...
Quanta alegria no ar...
Surge o dia ensolarado.
É tempo de trabalhar!
Existe luz e calor no coração do estudante.
É preciso aproveitar dos minutos, cada instante!

Tarde:

Uma brisa se aproxima.
Beija o jardim multicor.
Os passarinhos pipilam,voltam ao seu ninho de amor...
Vem a tarde explendorosa.
O toque da Ave-Maria...
O por do sol sobre a serra...
É a despedida do dia...

Noite:

Chega a hora do repouso.
Silêncio... Tudo emudece...
Por sobre os ombros da noite,um manto negro aparece...

Tão salpicado de estrelas que brilham quais vagalumes...
E muitas flores noturnas exalam doces perfumes...

Final:

As criaturas da terra,num gesto de gratidão, elevam seu pensamento até Deus, numa oração:
Nós te pedimos, Senhor, nosso Pai e nosso Guia, como presente de amor o raiar de um novo dia!

Arly Maria Andrés (19739

Anónimo disse...

Avé Maria

Brincam as crinças
No adro da igreja
Jogando a bola,
Lançando o pião,
Como passarinhos
Cheios de alegria.
Quando o sino toca
Erguem as mãozinhas
Rezam todos juntos:
AVÉ MARIA

Os melros cantam
Canta a cotovia
Chegam os pastores
Quando acaba o dia.
Cuidados tamanhos
Com os seus rebanhos,
Tudo é poesia
Mal ouvem o sino,
De chapéu na mão
Param e rezam:
AVÉ MARIA

O velho fidalgo,
Que passa montado no seu alazão
Vai cumprimentando
Com certa graça
Quem por ele passa,
Mas quando ouve o sino,
Meu Deus, quem diria?!...
Também pára e reza:
AVÉ MARIA

E ao fim da tarde,
Passam as moçoilas,
Alegres e cheirosas
Qual ramos de rosas,
Fazendo projectos
Como arquitectos,
Tudo é folia.
Quando ouvem o sino
Param para rezar:
AVÉ MARIA

A pobre velhinha
Sentada á lareira,
As rugas que marcam
Seu rosto cançado,
Contam a história
De uma vida inteira.
Senhora valei-nos,
Sede nossa guia
Vai ela rogando a Nossa Senhora
Orando por todos,
Pois Nossa Senhora
De todos é mãe.
Ao ouvir o sino,
Parece magia
Ergue as mãos e reza:
AVÉ MARIA

In:"Poetas de Sempre - Antologia" 2007, pág.71, por Flor de Lotus