Tempos livres

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Se queres um amigo, cativa-o...

Foi então que apareceu a raposa: - Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu o principezinho com delicadeza. Mas ao voltar-se não viu ninguém.
- Anda brincar comigo, propôs-lhe o principezinho. Estou tão triste ...
- Não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.
- Ah! Perdão, disse o principezinho. Mas depois de ter reflectido acrescentou:
- Que significa «cativar»?
- É uma coisa de que toda a gente se esquecer, disse a raposa. Significa criar laços.
- Criar laços?
- Isso mesmo, disse a raposa. Para mim, não passas, por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti e tu não precisas de mim. Para ti não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti... Cativa-Me, por favor, disse ela.
- Tenho muito gosto, respondeu o principezinho, mas falta-me tempo. Preciso de Descobrir amigos e conhecer muitas coisas.
- Só se conhecem as coisas que se cativam, disse a raposa. Os homens já não têm tempo para tomar conhecimento de nada. Compram coisas feitas aos mercadores. Mas como não existem mercadores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me.
- Como é que hei-de fazer? Disse o principezinho.
- Tens de ter muita paciência, respondeu a raposa. Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo rabinho do olho e tu não dizes nada. A linguagem é fonte de mal entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto ...
Foi assim que o principezinho cativou a raposa.

In, O Principezinho

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